Casal de mulheres ligou para a polícia minutos antes de ser executado por PM no ES

  • 17/04/2026
(Foto: Reprodução)
Novas imagens mostram rua antes da execução de Daniele e Francisca por um policial militar Menos de 20 minutos antes de ser executada, em Cariacica, na Grande Vitória, no dia 8 de abril, a última ligação feita por Francisca Chaguiana Dias Viana, 31 anos, foi para o 190, telefone de emergência para acionar a Polícia Militar. No Espírito Santo, o chamado é atendido pelo Centro Integrado de Operações de Defesa Social (Ciodes). A mulher foi executada com a companheira Daniele Toneto, 45 anos, pelo policial militar Luiz Gustavo Xavier do Vale. Elas eram vizinhas da ex-mulher do cabo e as três tinham se envolvido, pouco tempo antes, em um desentendimento. A execução pode ter sido motivada por uma discussão sobre o uso de um ar-condicionado. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp A informação sobre a ligação feita às 9h46 da manhã foi passada ao g1 pela irmã de Francisca, a vendedora Francisca das Chagas Dias Viana, 37 anos, que ficou com o aparelho celular da irmã desde a morte (veja na foto abaixo). Às 10h02, uma primeira viatura chega ao bairro, e Francisca acena para os policiais. Menos de um minuto depois, às 10h03, cabo do Vale aparece com outros quatro policiais, seguindo a pé em direção ao casal, já com a arma na mão. Casal Daniele Toneto e Francisca Chaguiana Dias Viana ligou para a polícia minutos antes de ser executado por policial Reprodução LEIA TAMBÉM: PM que executou casal no ES: cabo matou cinco pessoas em 18 anos na corporação Policial militar suspeito de matar casal de mulheres: o que se sabe e falta esclarecer sobre crime no ES 'Ele é um psicopata. Não pode estar armado, nem nas ruas', diz irmã de uma das mulheres executadas em Cariacica Francisca das Chagas confirmou que a irmã e a nora costumavam se desentender com a ex-mulher do PM e que o casal pensava até em levar para a Justiça o problema em relação à cobrança da energia rateada entre os apartamentos. Procurada e questionada sobre o acionamento e se alguma das três viaturas que apareceram no local do crime foram enviadas por causa do chamado feito pela vítima, a Polícia Militar disse que "os detalhes solicitados serão apurados durante o Inquérito Policial Militar, instaurado para esclarecimento dos fatos, incluindo a dinâmica de acionamentos". (leia a nota mais abaixo) Mudou para o ES para ajudar a irmã Francisca Chaguiana era a filha mais nova entre quatro irmãos "Franciscos". Os nomes foram dados pela mãe, que mora em Lagoa do Mato, no interior do Maranhão, cidade natal da família. Ela se mudou para o Espírito Santo em 2018, quando soube que a irmã Francisca das Chagas estava grávida do terceiro filho, para ajudar a cuidar das crianças. O relacionamento com Daniele começou pouco depois e as duas já estavam juntas há sete anos. Daniele Toneto, 45 anos, e Francisca Chaguiana Dias Viana, de 31, executadas por policial no Espírito Santo Divulgação No estado capixaba, Francisca Chaguiana trabalhou vendendo roupas e também em restaurantes, porque gostava muito de cozinhar, segundo a irmã. Nos últimos meses, transformou esse gosto em uma forma de empreender, e estava trabalhando com a companheira vendendo molho de pimenta e biscoitos. "O pessoal do bairro até falava: 'olha lá a menina da pimenta'. Vendiam molho de pimenta, biscoitos e bolinhos. Andavam de motinha com baú para fazer as entregas. Minha irmã cozinhava muito bem, estava até fazendo curso de gastronomia, queria uma vida melhor", contou. Daniele Toneto, 45 anos, e Francisca Chaguiana Dias Viana, de 31, executadas por policial no Espírito Santo, trabalhavam vendendo biscoitos caseiros Arquivo pessoal Francisca das Chagas contou que também se dava bem com a companheira da irmã. "Pra mim, ela era uma pessoa boa também, gostava dos meus filhos, todo mundo gostava dela, chorona, chorava com tudo", disse. Relação com os sobrinhos A irmã da vítima contou ainda que Francisca Chaguiana perguntava sobre os sobrinhos com frequência e sempre foi carinhosa com eles. "Ela era um amor com eles, minha irmã pode ter todos os defeitos, mas ela nunca iria maltratar uma criança. Ela praticamente criou a minha filha mais velha no Maranhão, antes de mudar para o Espírito Santo". A irmã disse não conseguir acreditar que ela teria destratado o filho do policial do Vale, uma criança autista. Inclusive, segundo ela, o casal estava na fila de adoção. Daniele Toneto, 45 anos, e Francisca Chaguiana Dias Viana, de 31, pensavam em adotar uma criança Reprodução "Ela era atenciosa, a gente não conseguia se ver sempre, mas conversava por mensagem. Ela perguntava das crianças, especialmente do meu filho de 8 anos, que é autista. Pra mim é mentira, eu não acredito que ela tenha maltratado uma criança. Elas estavam até na fila de adoção!". Soube das mortes pela televisão Francisca das Chagas soube da morte da irmã e da cunhada pela televisão porque um conhecido ligou para ela no dia 8 de abril e falou para ela ligar a TV e ver o que estava passando no jornal. "Ele falou: 'vê o jornal porque está passando alguma coisa sobre a sua irmã'. Mas não contou o que era. Eu podia imaginar qualquer outra coisa menos isso", lamentou. A irmã deseja que o policial que efetuou os disparos responda pelas mortes. "Elas estavam felizes, fazendo planos. Eu quero Justiça, eu e a minha família, a família é grande, é o desejo de todos", encerrou. Francisca Chaguiana foi enterrada no Cemitério Jardim da Saudade, em Nova Rosa da Penha. Daniele foi enterrada no dia 9, também em Cariacica. Relembre o caso Novo vídeo mostra momento em que policial militar atira em casal de mulheres em Cariacica O crime aconteceu na noite do dia 8 de abril, no bairro Cruzeiro do Sul, em Cariacica, na Grande Vitória. De acordo com a apuração, a ex-mulher do militar ligou para ele relatando uma discussão com o casal e dizendo que o filho dos dois também estaria envolvido na situação. Testemunhas contaram que as duas vítimas e a ex-esposa do policial moravam em andares diferentes. Segundo moradores, a ex-companheira do agente foi ameaçada pelo casal horas antes do crime. Ainda de acordo com testemunhas, a discussão começou por causa de um ar-condicionado. As mulheres trocavam acusações sobre um possível furto de energia, apesar de residirem em andares distintos. Na manhã de quarta (8), elas voltaram a discutir, e as vítimas teriam mencionado o filho que a ex-esposa do PM tem com ele. A ex-mulher do policial, que não quis se identificar, deu entrevista e apresentou a versão dela sobre o que aconteceu. "Elas testaram o meu limite, falando do meu filho de 8 anos, autista. Falaram que ele não seria autista, p**** nenhuma, porque ele estava jogando bola até altas horas da noite. Eu desci com uma faca. Nisso, juntaram as duas em cima de mim, me jogaram no muro, me bateram, puxaram o meu cabelo, quebraram a minha unha. A vizinha de baixo conseguiu separar a briga", disse a ex-esposa do PM. Segundo a mulher, foi nesse momento que ela decidiu ligar para o cabo do Vale. "Eu falei que não ia mais agir com as minhas mãos. Liguei para o meu ex-marido e pedi duas viaturas, porque elas estavam me agredindo e agredindo o nosso filho, que estava chorando dentro de casa. Então, ele veio", contou. Após a ligação, o cabo Xavier deixou o posto onde atuava em função administrativa e foi até o endereço acompanhado de outros policiais. Testemunhas relataram que houve uma discussão antes dos disparos. Mas o relato de policiais sobre execução de mulheres diverge do que mostram imagens. Daniele morreu no local. Francisca chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. Após o crime, o policial foi preso. Seis policiais militares presenciaram o crime cometido pelo cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale, em Cariacica, Espírito Santo Arte/TV Gazeta Seis policiais militares presenciaram o momento em que o cabo do Vale atirou contra Daniele Toneto e Francisca Chaguiana Dias Viana. Eles não fizeram nada para impedir a ação do policial. São eles: Edson Luiz da Silva Verona (soldado) Eduardo Ferro Coradini (soldado) Filipe Gonçalves Vieira (soldado) Hilario Antônio Nunes (cabo) Lucas Nogueira Oliveira (aluno soldado) Valfril do Carmo Carreiro (3º sargento) Procurada, a Polícia Militar não esclareceu sobre os acionamentos feitos à polícia. A assessoria disse apenas que "três viaturas estavam no local, sendo que uma delas estava atendendo a ocorrência de vias de fato gerada pelo Ciodes, a outra participou, em apoio, e a terceira viatura envolvida é a que transportou o cabo Vale ao local do crime". A nota não detalha, no entanto, se as viaturas foram ao local por acionamento feito pela vítima ou pelo cabo Xavier, que também solicitou apoio ao Ciodes. Infográfico - onde foi a execução do casal de mulheres no Espírito Santo Arte/g1 Prisão e processo Após a morte das duas mulheres em Cariacica, a Justiça decretou a prisão preventiva do cabo do Vale, que segue detido no Quartel do Comando-Geral, em Vitória. A Polícia Militar também abriu um processo demissionário contra o militar. "Já determinei a abertura do processo demissionário para o cabo do Vale, porque ele feriu a honra da instituição, o decoro, coisa com a qual nós não coadunamos. Nós saímos diariamente às ruas para proteger e servir as pessoas, então já está instaurado esse procedimento", afirmou o comandante-geral, coronel Ríodo Lopes Rubim. Segundo ele, o prazo para conclusão do inquérito militar é de 20 dias, mas não há previsão para o término do processo demissionário. Cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale, 46 anos, está há 18 anos na Polícia Militar e responde por mortes, tiros e denúncias por lesão corporal Reprodução O comandante disse também que foi solicitado à Justiça Militar o afastamento cautelar dos outros agentes de todas as atividades exercidas por eles. Eles estão fora das ruas e tiveram as armas apreendidas. O g1 não conseguiu contato com a defesa do policial. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

FONTE: https://g1.globo.com/es/espirito-santo/noticia/2026/04/17/casal-de-mulheres-ligou-para-a-policia-minutos-antes-de-ser-executado-por-pm-no-es.ghtml


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